Ainda maiores Portugueses

Agita-se Portugal! Da bruma, do nevoeiro, qual Dom Sebastião, ou pela voz da Maria Elisa, será dado a conhecer o Grande Português! Debatem-se em cafés, escolas, lares de idosos e instituições mentais da mais variada ordem as preferências pessoais. A eleição restringe-se neste momento a 10 personalidades, D. Afonso Henriques, D. João II, Infante D. Henrique, Vasco da Gama, Luís Vaz de Camões, Marquês de Pombal, Fernando Pessoa, António de Oliveira Salazar, Aristides de Sousa Mendes e Álvaro Cunhal.
Nós no Zurraria não concordámos com a selecção final não só porque somos do “contra” (mas principalmente por isso) mas também porque encontrámos lacunas graves em todos os candidatos, lacunas que provam que os eleitos não são verdadeiros portugueses. Decidimos por isso, apresentar as razões da falta de portugalidade dos finalistas e para cada um deles sugerimos um substituto que pode ser considerado exemplo ou ideal do “Português Histórico” e por isso verdadeiro Grande Português.
Afonso Henriques. Não é de português ser filho de pai de origem normanda e mãe castelhana. É de Português ser filho de pais portugueses, ser cognominado de “O Gordo”, e aguardar serenamente que as fronteiras nacionais se alarguem por obra e graça do Espírito Santo como fez D. Afonso II.
D. João II. Não é de português morrer dias depois de ter feito uma visita às termas das Caldas de Monchique. É de Português dar pancadas na mulher porque ela dava pães aos pobres como fazia D. Dinis.
Infante D. Henrique. Não é de português criar escolas, não é de português radicar-se no Algarve em vez de vir em Agosto para passar férias. É de Português gostar de caçadas, corridas de automóveis, viajar em iates, gastar fundos estatais para fins pessoais incluindo o de passar férias no Algarve como fazia D. Carlos.
Vasco da Gama. Não é de português fazer uma viagem perfeitamente planeada desde Lisboa em direcção à Índia, mas sim partir em direcção à Índia e achar o Brasil como fez Pedro Álvares Cabral.
Luís Vaz de Camões. Não é de português perder um olho para salvar um papel, ou porque guerreou em Ceuta com os mouros, ou porque o vazou com a pena que escrevia os sonetos. É de português abalar para Marrocos e morrer sem causa nenhuma como fez D. Sebastião. Há-de voltar.
Marquês de Pombal. Não é de português usar perucas à excepção do capachinho. Não é de Português a Baixa Pombalina, organizada com traçado ortogonal e ruazinhas direitinhas. É de Português estar fechado no quarto com a Marquesinha de Távora, bela rapariga por sinal, enquanto o sr. Pombal elaborava os planos e as leis como fez El-rei D. José.
Fernando Pessoa. Não é de português beber absinto em vez de vinho tinto. Não é de português morrer virgem nem ter tendências homossexuais. É de português viver uma vida de farra com muitas mulheres, – ainda que não sejam necessariamente prostitutas – morrer de cirrose hepática e ter Manuel e Maria no mesmo nome ainda que se chame Bocage.
António de Oliveira Salazar. Não é de português ter as finanças equilibradas, não é de português ter uma cadeira velha no escritório e depois morrer porque caiu dela, não é de português ser um ditador que proíbe as eleições. É de português ser um ditador que se demite para provocar novas eleições democráticas e continuar no poder como faz Alberto João Jardim para além de gostar de dançar em cuecas no Carnaval, como qualquer Grande Português pai de família.
Aristides de Sousa Mendes. Não é de português chamar-se Aristides nem salvar as pessoas (judeus) do forno. É de Português encontrar sete espanhóis escondidos num e matá-los à paulada como fez Brites de Almeida, a Padeira de Aljubarrota.
Álvaro Cunhal. Não é certamente de português (pelo menos dos grandes) querer implantar um regime comunista em Portugal no pós-25 de Abril. É sim, de português, colocar Portugal na União Europeia para viver dos fundos comunitários como fez Mário Soares.
Se dos dez candidatos alternativos ainda achar que nenhum português é suficientemente grande, então, não restará alternativa ao leitor senão optar por um dos membros do Zurraria.

3 Responses to “Ainda maiores Portugueses”

  1. # Blogger sobre-nada

    Muito bem apanhado zurradores. Parti o coco a zurrar!!!  

  2. # Blogger Conceição Bernardino

    Olá,

    Povo

    Ò povo que trais sem saber
    O corpo que cansada da luta não
    Pode ver

    Ò néscio que não tiveste
    Quem a ti te ensinasse
    A andar.

    Ò triste que caminhas com os
    Pés dos outros,
    Sem saber no que estás a pisar!

    Poema da autoria de LILIANA BARRETO do LIVRO POISEIS II

    Desejo-te uma bela semana, na companhia deste belo poema que encantou os sentidos.

    Beijinhos ConceiçãoB
    http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com  

  3. # Blogger Pedro Guerreiro

    Ai Conceição Conceição.  

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