Prince do povo?

Na edição desta semana do suplemento Ípsilon o jornalista Mário Lopes assina um artigo intitulado "Prince volta a atacar". Neste artigo é discutida a última irreverência do artista americano.
Acontece que Prince fugiu às garras da indústria discográfica, lançando o seu novo álbum "Planet Earth" gratuitamente com uma edição do tablóide inglês "Mail On Sunday", sem passar por qualquer editora. Três milhões de cd's cujo preço rondaria os 20 euros foram "oferecidos" ao povo pelo simples preço do periódico. Sim, leram bem, 3 milhões.
Ora os senhores da Sony BMG, com quem Prince tinha contrato não gostaram. Coitadinhos. Optaram por terminar o contrato com o artista, o que torna impossível encontrar o álbum em qualquer loja do Reino Unido.
Apoiado nos lucros dos concertos, Prince abdicou dos lucros de venda do disco, e mesmo assim sai a ganhar. A ganhar mesmo muito mais. Citando o artista: "Faço muito dinheiro na estrada. Ganho 300 mil dólares por noite." Isto tendo em conta que nesta recente operação de marketing apurou uns bonitos 370 mil euros e tem marcadas 21 datas em terras de sua majestade. Façam as contas.
Como disse, a editora não gostou do bonito gesto de Prince. E não gostou porquê? Simplesmente porque não ganhou nada com a operação. Zero, nicles batatóides.
Ora neste artigo do Ípsilon o jornalista Mário Lopes foi falar com Tozé Brito, director geral da Universal Music Portugal.
Podíamos esperar uma declaração sensata e ajuizada de Tozé Brito, mas os milagres não acontecem todos os dias. Numa atitude retrógrada e completamente cega face às mudanças constantes do mundo da música mundial, diz assim este senhor: O que o Prince fez não passa de uma chico espertice. Tem memória curta e está a dar cabo da carreira."
Para um tipo que tem Tozé como nome próprio, este senhor tem-se muito em conta.
Bem sei que a música de Prince não apela a toda a gente, mas o tipo merece ter todo o sucesso do mundo. São acções como esta que liberalizam o acesso global à cultura e beneficiam quem está farto de ser explorado pelas grandes corporações, ou seja, todos nós.
Esperemos que muitos lhe sigam o exemplo, porque o futuro da música terá que ser do povo e não de um grupo de senhores a quem só interessa o lucro.

update: O Courier Internacional dedica também duas páginas ao futuro da industria discográfica. Leiam aqui.

4 Responses to “Prince do povo?”

  1. # Blogger Minerva McGonagall

    Aplausos!!!  

  2. # Anonymous aquela q lê mas nc comenta

    "(...)porque o futuro da música terá que ser do povo e não de um grupo de senhores a quem só interessa o lucro": pareces um sindicalista a falar! Estou a gostar sim sra!  

  3. # Blogger Bruno Nunes

    Não te deixes enganar, aos sindicalistas também só interessa o lucro.
    Quero estar bem longe de parecer e ser um sindicalista.  

  4. # Blogger Pedro Guerreiro

    too late, buddy.  

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